Este conteúdo aborda o Projeto Terapêutico Singular, ou PTS. O texto demonstra como o PTS é colocado em prática, diferenciando-o do Projeto Terapêutico Individual. O artigo também esclarece quais são as etapas de uso do PTS, citando diagnóstico, definição de metas, divisão de responsabilidades e reavaliação. Por fim, o material reflete sobre a participação do paciente nesse instrumento e o uso dele no CAPS.

Nem todo cuidado em saúde pode ser pensado a partir de uma conduta isolada. Em certas situações, compreender o que está acontecendo e definir os caminhos possíveis exige considerar uma variedade de informações, profissionais e perspectivas.

É nesse cenário que o Projeto Terapêutico Singular (PTS) aparece como uma ferramenta de trabalho na atenção à saúde. Sua proposta se diferencia justamente por observar a singularidade de cada caso a partir da compreensão de múltiplos pontos de vista.

Continue a leitura para conhecer o conceito de PTS, suas principais etapas e os aspectos envolvidos em sua elaboração!

O que é Projeto Terapêutico Singular?

O PTS é uma estratégia de organização do cuidado construída a partir das necessidades e características de uma pessoa, família ou grupo.

Ele reúne propostas terapêuticas articuladas, definidas a partir da discussão entre os profissionais e a pessoa atendida. Também existe a possibilidade de envolver familiares e outros membros da rede de apoio, conforme a situação.

A elaboração do Projeto Terapêutico Singular se destaca em situações que permitem formas diversas de intervenção. Assim, em vez de estabelecer uma conduta isolada, o PTS organiza as ações que fazem sentido para aquele caso.

Por exemplo, uma pessoa em sofrimento psíquico pode precisar de acompanhamento psicológico, atenção médica e articulação com outros serviços. No PTS, essas ações são pensadas conjuntamente.

Veja mais detalhes sobre o Projeto Terapêutico Singular!

Qual é a diferença entre PTS e Projeto Terapêutico Individual?

A expressão Projeto Terapêutico Individual (PTI) aparece em parte da literatura para falar de propostas semelhantes às do PTS. Porém, a atual preferência pelo termo “singular” tem relação com a ideia de considerar as particularidades de cada situação no atendimento.

Além disso, o projeto pode ser construído para indivíduos, famílias ou grupos, diferentemente do que o termo individual dá a entender. Assim, a mudança está principalmente na perspectiva adotada para construir o projeto. 

Um PTS envolve atendimento psicológico, acompanhamento médico, participação da família e articulação com outros serviços, por exemplo. O objetivo é uma construção compartilhada do projeto, a partir de necessidades, contextos e singularidades das pessoas envolvidas. 

Saiba mais: Projeto terapêutico em Saúde Mental: práticas e processos nas dimensões constituintes da atenção psicossocial

Qual é a relação entre PTS, clínica ampliada e raciocínio clínico?

Por não restringir a compreensão do cuidado ao diagnóstico ou a uma única dimensão, o PTS se aproxima da clínica ampliada. Ele integra diferentes saberes profissionais e, embora seja uma ferramenta multiprofissional e não exclusiva de nenhuma abordagem, pode contribuir para o raciocínio clínico na Psicologia Histórico-Cultural

O PTS não se limita à reunião de especialidades, propondo-se a desenvolver uma compreensão do caso que seja capaz de articulá-las. Essa distinção é relevante porque a fragmentação entre especialidades tende a esvaziar a proposta do PTS.

Quais são as principais etapas de elaboração do PTS?

A elaboração do PTS costuma ser organizada em quatro momentos que facilitam o planejamento, mas não são tratados como etapas rígidas. 

Confira quais são eles!

Diagnóstico

O diagnóstico visa compreender a situação acompanhada, levando em conta necessidades, dificuldades, potencialidades e condições concretas de vida do paciente.

Portanto, ele não corresponde à simples identificação de uma doença ou transtorno, pois utiliza informações sobre aspectos como:

A perspectiva da pessoa atendida também é analisada, pois sua compreensão sobre o que vive ajuda a trazer elementos que nem sempre aparecem na avaliação profissional.

Definição de metas

A partir da avaliação da situação, são estabelecidos os objetivos que orientarão o cuidado com o paciente. Eles contemplam tanto o diagnóstico quanto as alternativas concretas. Por isso, as metas não se resumem ao que a equipe considera desejável — elas precisam fazer sentido diante das condições daquele contexto.

Divisão de responsabilidades

Cada participante assume uma responsabilidade dentro do Projeto Terapêutico Singular. Nela, podem ser envolvidos profissionais de serviços, além de familiares, pessoas da rede de apoio e a própria pessoa atendida, como visto.

Essa divisão torna o projeto mais concreto, explicitando como os envolvidos contribuem para o cuidado. Em equipes multiprofissionais, muitas vezes é definido um profissional de referência para acompanhar o desenvolvimento do projeto e facilitar as articulações necessárias.

Reavaliação

A reavaliação verifica os efeitos das ações realizadas e identifica o que deve ser modificado para alcançar as metas propostas. Nesse momento, a equipe analisa avanços, obstáculos e pertinência dos próprios objetivos estabelecidos.

Afinal, o projeto acompanha a evolução de cada caso, que pode passar por mudanças ao longo do tempo.

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Como funciona a participação do paciente e da equipe no PTS?

No PTS, a ideia é que a pessoa atendida não exerça um papel passivo, somente recebendo ou executando condutas definidas pela equipe. A participação do paciente envolve discussões sobre demandas, prioridades, objetivos e opções de intervenção.

Suas necessidades, preferências, história de vida e condições concretas são consideradas pela equipe. Ainda, a pessoa em tratamento participa da avaliação dos resultados obtidos por meio das intervenções, contribuindo para as adaptações no plano de cuidado.

Como é a aplicação do Projeto Terapêutico Singular no CAPS?

O PTS faz parte dos cuidados promovidos pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). 

Nesses serviços, ele orienta a organização do cuidado e define quais modalidades de atendimento e recursos farão parte do acompanhamento. Isso significa que o PTS pode se desdobrar em diversas ações dentro e fora do CAPS, como:

Isso aproxima o PTS da lógica da atenção psicossocial, em que o cuidado não se limita às atividades realizadas dentro do CAPS. Dependendo da situação, o projeto engloba a articulação com serviços de saúde, assistência social, educação e outros recursos disponíveis.

A proposta multidisciplinar do PTS considera diferentes pontos de vista e formas de atuação. Ao levar em conta a participação do paciente e o contexto em que ele vive, o Projeto Terapêutico Singular permite construir um cuidado de acordo com as necessidades de cada caso.

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