O tema das emoções tem ocupado muitos espaços nos atuais debates da psicologia. E até na compreensão popular, por meio de filmes e séries que reforçam essas discussões, por exemplo.
A partir da maior visibilidade, surgem diversas correntes teóricas que tentam se apropriar do modo como as emoções são conceituadas. Mas você sabe qual é a compreensão da psicologia histórico-cultural sobre as emoções?
Confira este conteúdo!
Como a psicologia entendeu as emoções historicamente?
Você deve saber que toda ciência tem uma história de avanços e disputas, certo? E o tema das emoções foi (e é) um dos mais discutidos na psicologia. Inclusive, Vigotski fez críticas contundentes aos estudos da sua época.
Para ele, as teorias disponíveis naquele período apresentavam um entendimento limitado sobre as emoções. Um exemplo analisado por Vigotski foi a teoria de James-Lange, que reduzia as emoções à sua expressão fisiológica.
Além disso, existiam teorias que entendiam que as emoções eram produto do instinto e eram opostas à razão. Alguns autores defendiam até mesmo que elas iriam se tornar inúteis e desaparecer ao longo do desenvolvimento humano.
Mas não era isso que Vigotski pensava. A partir da dialética, ele passou a estudar as emoções como um dos aspectos centrais do psiquismo. E defendeu que nenhuma teoria até então havia conseguido discutir as emoções de maneira correta.
Qual a compreensão da psicologia histórico-cultural sobre as emoções?
Em suas pesquisas, Vigotski apresentou as emoções como funções psicológicas superiores. Ou seja, elas têm raízes biológicas, mas ganham significado e se modificam a partir das relações com a cultura e a linguagem.
Como função psicológica superior, não só a emoção se torna mais complexa, como também é vista relacionada a todo o restante do psiquismo. Desse modo, a psicologia histórico-cultural defende a unidade entre afeto e razão.
As emoções então ganham destaque, não se limitando mais a uma reação fisiológica. Ao contrário, Vigotski entendeu que elas exercem um papel de organizar internamente o nosso comportamento.
Para ele, as emoções nos colocam em tensão, em excitação, nos estimulam ou freiam todas as reações. O interessante é que achados mais atuais da neurociência confirmam o papel central das emoções no cérebro.
As emoções têm lugar na clínica histórico-cultural?
Se você atua ou se interessa por atuação na clínica a partir da teoria histórico-cultural, as emoções sem dúvida vão fazer parte do seu trabalho. Como vimos, elas são muito relevantes no desenvolvimento.
Logo, esse tema também precisa ser estudado com seriedade quando se fala sobre o sofrimento e o adoecimento psíquico — onde se encaixam as demandas para a psicoterapia.
A Psicologia Histórico-Cultural oferece uma visão revolucionária ao integrar razão e emoção e defender esta última como função psicológica superior. Na clínica, é essencial entendermos a história do desenvolvimento das emoções dos nossos pacientes.
Conclusão
Agora você sabe como a psicologia histórico-cultural vê as emoções e de que forma essa visão se contrapôs a pesquisas clássicas na área. Caso queira se aprofundar ainda mais, confira a tese de Lavínia Magiolino sobre esse tema!
Quer ter mais embasamento para atuar com as demandas emocionais na clínica? Conheça o baralho das emoções do Lev!