A volição é um conceito importante na teoria histórico-cultural — e pode ser muito relevante também na psicologia clínica. Para Vigotski, essa é uma função central no comportamento humano.

Isso porque, ao estudar o desenvolvimento, o autor defendeu que o comportamento de seres humanos é volitivo. Ou seja, envolve vontade, motivação e a capacidade de ter uma conduta voluntária.

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O que é volição?

Um dos principais objetos de estudo da psicologia histórico-cultural é o desenvolvimento humano. Nesse sentido, Vigotski aponta que há uma diferença fundamental entre o homem e outros animais: a volição.

Diferente dos animais, que agem por instinto e não conseguem controlar o próprio comportamento, as pessoas têm a capacidade de direcionar de forma consciente a própria conduta.

Isso se dá porque o comportamento do homem é voluntário. Ou seja, ele pode decidir como se portar. A volição, ou vontade, é a função psicológica superior que, em relação com as outras funções no psiquismo, possibilita isso.

Como a volição se desenvolve?

Toda atitude que tomamos e todo pensamento que nutrimos têm, em sua base, vontades e aspirações. Mas isso não significa que os motivos do comportamento são sempre conscientes e estão sob controle da pessoa.

Na verdade, a conduta voluntária é uma possibilidade no ser humano. Ou seja, ela não é garantida. Isso porque seu desenvolvimento pode enfrentar obstáculos ou ser enfraquecido, por exemplo, pela dinâmica de alienação na sociedade capitalista.

Assim como as demais funções psicológicas superiores, a volição tem um desenvolvimento cultural. A base biológica é superada dialeticamente e passa a existir subordinada a uma função mais complexa, formada socialmente.

A apropriação da linguagem é a grande responsável pelo salto qualitativo vivido pelo psiquismo humano. Para sustentar uma vontade ou transformá-la, utilizamos os signos como mediadores internos.

A linguagem acaba por influenciar todo o nosso sistema psíquico, regulando outras funções psicológicas superiores. Com isso, os aspectos da personalidade de uma pessoa são inicialmente sociais, advindos do contexto concreto de vida.

Qual é a importância desse conceito para a Clínica Histórico-Cultural?

Entender que a conduta voluntária é uma possibilidade para o ser humano e que ela pode ser dificultada por obstáculos ao desenvolvimento é relevante para o trabalho na psicoterapia. Afinal, a volição pode ser uma demanda na clínica histórico-cultural.

Tomar consciência da motivação que está na base da atividade e conduta do paciente que atendemos significa poder intervir na autonomia. A partir disso, a pessoa pode fortalecer sua capacidade de pensar, planejar e agir com mais liberdade.

Ao discutir aspectos ligados à volição na clínica podemos atuar rumo o fortalecimento do autodomínio da conduta. Esse é um conceito vigotskiano que evidencia o potencial de regular o próprio comportamento e agir de forma planejada.

A prática clínica também pode contribuir para o surgimento de novas vontades, ampliando o escopo de interesses da pessoa e agregando novos sentidos e significados às suas vivências.

Conclusão

Você acabou de ver que a volição é uma ideia central para a Psicologia Histórico-Cultural — e para a  prática clínica na abordagem. Ao compreender melhor o desenvolvimento humano, podemos articular mediações na psicoterapia.

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