O desenvolvimento humano é um dos objetos de estudo principais de diversas correntes da psicologia. Ele foi central também nos estudos de Vigotski — o que evidencia sua importância para a clínica histórico-cultural.
Mas qual é a visão de desenvolvimento da psicologia histórico-cultural e como ela influencia na prática clínica? É isso que você vai descobrir neste texto. Confira!
O desenvolvimento é dialético
Vigotski construiu sua teoria a partir do materialismo histórico dialético, de Marx. Isso traz alguns pressupostos indispensáveis para a PHC. Por exemplo, a visão dialética sobre o desenvolvimento.
Ver o desenvolvimento humano dessa forma significa romper com dualismos que imperaram na psicologia por muito tempo. Por exemplo: mente e corpo, individual e social, biológico e cultural, subjetivo e objetivo.
A partir da dialética, Vigotski pesquisou o desenvolvimento em sua totalidade. Para isso, ele reconheceu a existência de contradições e polos opostos em relação. E elegeu unidades que permitissem estudar essas dimensões juntas.
Um exemplo de unidade é o significado da palavra — que se refere, ao mesmo tempo, às funções psicológicas da linguagem e do pensamento. Outro exemplo é a vivência, unidade eleita por Vigotski para estudar o ser humano e o meio.
O desenvolvimento histórico-cultural não é linear ou estável
Ao falar sobre o desenvolvimento humano, Vigotski não defendia fases estanques de amadurecimento, como se o desenvolvimento fosse apenas biológico e acontecesse de forma imediata.
Ao contrário, ele evidenciou a importância da situação social de desenvolvimento — os aspectos culturais com os quais cada pessoa se relaciona. Assim, Vigotski pensou em períodos de desenvolvimento que tivessem relação com a vida social.
Outro fator importante nos estudos de Vigotski é entender que a pessoa se desenvolve alternando entre períodos mais estáveis e períodos de crise. Nesses últimos, o meio social faz exigências novas e impulsiona o desenvolvimento.
As crises, então, colocam a pessoa em movimento. É a partir da contradição entre o que se tem e o que a situação social de desenvolvimento exige que se atinge novos níveis de desenvolvimento.
Vigotski apresentou uma periodização do desenvolvimento
Vigotski propôs alguns períodos do desenvolvimento considerando a sociedade estudada por ele na União Soviética da década de 1930. Eles foram:
- crises pós-natal – primeiro ano;
- crise de 1 ano – infância precoce;
- crise de 3 anos – idade pré-escolar;
- crise dos 7 anos – idade escolar;
- crise dos 13 anos – puberdade;
- crise dos 17 anos.
É válido reforçar que as idades aqui são apenas referências, mas o foco de Vigotski não está no número. O mais importante é a situação social de desenvolvimento e a relação singular de cada sujeito com ela.
Conclusão
A psicóloga histórico-cultural que atua na clínica precisa entender profundamente os estudos de desenvolvimento feitos por Vigotski. Isso permite entender a história do paciente e também intervir na sua situação social de desenvolvimento.
Compreendendo como as pessoas se desenvolvem, podemos entender melhor também o que pode caracterizar desenvolvimentos mais saudáveis ou envolver aspectos de sofrimento e adoecimento psíquico.
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