Este conteúdo aborda a Neuropsicologia Histórico-Cultural, apresentando sua origem, fundamentos e principais conceitos. O artigo também mostra como essa perspectiva compreende a relação entre cérebro, desenvolvimento e funções psicológicas superiores. Além disso, o material explica o conceito de sistemas funcionais e destaca as principais diferenças entre a Neuropsicologia Histórico-Cultural e outras perspectivas psicológicas, evidenciando a importância das relações sociais, da cultura e da história na compreensão do funcionamento psicológico.
Entre os diferentes modos de compreender o funcionamento psicológico, a Neuropsicologia Histórico-Cultural relaciona o cérebro ao desenvolvimento e ao contexto sociocultural. Conhecê-la ajuda a entender como as funções psíquicas se formam ao longo da história de cada pessoa.
Para quem deseja conhecer esse campo, é importante se familiarizar com os seus principais conceitos, pois eles permitem identificar o que diferencia essa perspectiva de outras.
Descubra o que é Neuropsicologia Histórico-Cultural, qual é sua origem e quais são suas particularidades!
O que é Neuropsicologia Histórico-Cultural?
A Neuropsicologia Histórico-Cultural é uma abordagem que procura compreender o funcionamento do cérebro em relação ao desenvolvimento mental e à história social e cultural da pessoa. Sua construção está relacionada principalmente às contribuições de Lev Vigotski e Alexander Luria.
Eles foram pesquisadores soviéticos que buscaram superar uma compreensão fragmentada da organização humana. Essa perspectiva procura explicar como cérebro, atividade, linguagem, relações sociais e cultura participam conjuntamente desse processo.
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Qual é a origem da Neuropsicologia Histórico-Cultural?
A base da abordagem está na Psicologia Histórico-Cultural, desenvolvida na União Soviética no início do século XX. Vigotski teve um papel central nessa construção ao investigar como as relações sociais e os recursos culturais participam da formação das funções psíquicas.
Para essa perspectiva, o desenvolvimento humano não é explicado somente pela maturação biológica. A pessoa se constitui em determinado contexto histórico, estabelece relações com outros indivíduos e se apropria dos conhecimentos e instrumentos produzidos socialmente.
A linguagem ocupa um lugar relevante no processo, porque participa da organização da atividade e do pensamento. É a partir dessa visão que a Neuropsicologia Histórico-Cultural passa a olhar para as relações entre a atividade cerebral e a dinâmica psicológica.
Alexander Luria foi fundamental nesse movimento. Seus estudos aproximaram a investigação do cérebro dos princípios da Psicologia Histórico-Cultural.
Qual é a relação entre desenvolvimento e funções psicológicas superiores?
Na Neuropsicologia Histórico-Cultural, as funções psicológicas não são analisadas como capacidades isoladas, independentes da história do indivíduo.
Pense, por exemplo, na formação da linguagem. A criança possui condições biológicas. Entretanto, ela não aprende a falar simplesmente porque o cérebro amadurece.
Ela precisa participar de relações, ouvir outras pessoas, interagir e se apropriar da linguagem presente em sua cultura. O mesmo acontece com outras funções mentais.
Ao longo da vida, o indivíduo realiza diferentes tarefas, estabelece relações e utiliza recursos produzidos socialmente. Essas experiências participam da formação e da transformação de seus modos de pensar, lembrar, prestar atenção e agir.
É nesse processo que se desenvolvem as chamadas funções psicológicas superiores. Elas correspondem a formas mais complexas de organização da atividade humana. Entre elas estão:
- atenção voluntária;
- memória mediada;
- linguagem;
- pensamento;
- emoções.
Essas funções se constituem nas relações que a pessoa estabelece com o meio e são mediadas por instrumentos construídos socialmente. Por exemplo, uma pessoa pode se lembrar espontaneamente de uma informação, mas também pode utilizar uma anotação, uma lista ou outra estratégia para organizar aquilo que precisa recordar.
No segundo caso, existe uma forma de mediação que permite orientar voluntariamente a própria memória. Portanto, a linguagem, os signos e os instrumentos culturais assumem um papel importante nesse mecanismo.
Eles participam da maneira como a pessoa organiza a atenção, a memória, o pensamento e outras capacidades psíquicas.
O que são sistemas funcionais?
A partir da relação entre cérebro, desenvolvimento e funções psicológicas, Luria apresenta outro conceito fundamental: o de sistemas funcionais. Ele ajuda a superar a concepção de que cada capacidade psíquica estaria localizada em uma única região do cérebro.
Para Luria, processos complexos dependem da participação articulada de diferentes áreas cerebrais, que assumem papéis específicos dentro de uma organização funcional.
Ele ainda propôs três unidades funcionais do cérebro, que atuam de forma articulada na realização das atividades psicológicas. São elas:
- Unidade Funcional I: regula a vigília, o tônus cortical e o nível de ativação cerebral;
- Unidade Funcional II: recebe, analisa e armazena informações visuais, auditivas e tátil-cinestésicas;
- Unidade Funcional III: programa, regula e verifica a atividade mental, incluindo o planejamento e o controle das ações.
Isso significa que uma atividade como falar, escrever, lembrar ou resolver um problema não depende de uma região isolada.
Diferentes componentes do funcionamento cerebral participam da realização da tarefa. Eles formam uma organização que pode se modificar conforme o desenvolvimento e as condições em que a ação ocorre.
Essa concepção também permite entender por que uma alteração em determinada região cerebral não produz necessariamente o desaparecimento completo de uma função. Dependendo das condições, outras formas de organização podem contribuir para sua realização.
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Quais são as diferenças entre ela e outras abordagens neuropsicológicas?
A Neuropsicologia não possui uma única forma de estudar a relação entre cérebro e funcionamento psicológico. Ao longo de sua história, diferentes perspectivas desenvolveram maneiras próprias de investigar essa conexão.
Uma delas é a vertente localizacionista, importante para o desenvolvimento histórico da Neuropsicologia. Ela buscava relacionar determinadas funções a regiões específicas do cérebro, especialmente a partir do estudo de pessoas com lesões cerebrais.
Já a Neuropsicologia Cognitiva se concentra no processamento da informação e nas operações mentais envolvidas na realização de diferentes tarefas. Assim, a abordagem procura investigar padrões de preservação e comprometimento dos processos cognitivos.
A Neuropsicologia Histórico-Cultural se diferencia dessas perspectivas pela forma como compreende a organização das funções psicológicas e sua relação com o desenvolvimento humano. Como você viu, ela considera que o funcionamento cerebral tem íntima relação com a história e as condições sociais e culturais da pessoa.
Assim, entendemos que a perspectiva histórico-cultural sobre o desenvolvimento do cérebro oferece possibilidades para superar visões dicotômicas e trazer uma leitura dialética para a neuropsicologia.
Neste artigo, você entendeu o que é a Neuropsicologia Histórico-Cultural e qual é a sua origem. Agora, é possível se aprofundar nos principais conceitos dessa abordagem e compreender como eles ajudam a olhar para o funcionamento psicológico de modo mais amplo.
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